É muito comum em toda a virada de ano haver discursos de mudança e de renovação, como é de senso comum, neste não poderia ser diferente.
As declarações giram em torno de um mundo melhor e, principalmente, uma auto-renovação enquanto pessoa, uma autocrítica do ano que termina, para assim nortear as ações do ano que está para vir, no sentido de melhorá-las e não cometer os mesmos erros.
No entanto, na correria do dia-a-dia não é percebido que a renovação de nós para com nós mesmos é feita diariamente, a cada momento, a cada atitude e a cada interação humana. Neste sentido, não é necessário esperar o ano acabar para rever as posições/atitudes.
A mensagem de fim de ano, que transmito, e espero que todos possam se permitir à viver e a refletir, é que podemos e devemos fazer autorreflexão o tempo todo. Pois, cada instante é oportunidade de rever conceitos e melhorar... Que nos permitamos a ter novas experiências, desde que nos dignifiquem.
Que em 2017 todos possam por em prática suas reflexões e fazê-las continuamente para seremos melhores seres humanos, consigo e para com os outros.
Percebemos facilmente que no Brasil, de modo generalizado, as pessoas tem péssima qualidade em abstração nas ciências humanas! Embora muitas pessoas queiram mostrar-se como baluartes da moral e da ética.
A qualidade de abstração de humanas é pior do que em física, química e exatas em geral, porque bem ou mal, elas caem no vestibular, então as pessoas aprendem (ou memorizam) duas ou três coisas. Então, salvam-se. Não que humanas não estejam no vestibular, mas é de consenso que o que define a aprovação nele são as exatas.
Na hora de investigar o que as pessoas tem a dizer sobre questões de abstração, afinadas à questão moral, não percebemos muita qualidade filosófica. A ética é reflexão sobre a vida, é pensamento, é só sair na rua ou observar o senso comum que percebemos a incapacidade de compreensão apurada, filosófica, que é necessária a este debate.
Fala-se da importância da ética por todo lugar. Mas, lamentavelmente quem fala em nome dela não percebe que a ética pressupõe competência reflexiva, pressupõe repertório, pressupõe domínio de certos princípios que são da esfera do pensamento, da formação escolar e intelectual. Não adianta tampar o sol com a peneira. (Reflexão adaptada/embasada no curso de Ética do Dr. Clóvis de Barros Filho)
Ontem participei de uma "corrente orkutiana", algumas pessoas participaram. A mesma consistia em oito respostas que seriam dadas que envolvessem a pessoa que comentasse qualquer coisa na publicação original. As respostas que envolviam:
Em meio a polêmica do "Escola sem Partido" parece ser de extrema importância para que as pessoas de modo geral tenham acesso de como se dá o processo de ensino-aprendizagem, conhecer as
formas de perceber a educação e atuação no ensino. Essas formas se dão através de tendências
pedagógicas.
O termo pedagogia de acordo
com o dicionário Michaelis pode ser entendida como o estudo teórico ou prático
das questões da educação, bem como o conjunto das ideias de um educador prático
ou teorista em educação.
É neste contexto que este texto irá abordar de maneira breve e diferenciar
as tendências pedagógicas na prática e na teoria da educação. Tendências que
serão diferenciadas entre Liberais: tradicional,
renovada progressivista, renovada não-diretiva, e tecnicista. Progressistas: libertadora, libertária,
e crítico social dos conteúdos.
É notável que o nós nos desenvolvemos e enfrentamos mudanças com o passar do tempo. O processo de desenvolvimento é vitalício e ocorre durante toda a vida do sujeito. Aliás, é preciso ficar claro que o "tempo" não causa nem determina o desenvolvimento. Ele apenas refere-se tão somente ao intervalo em que as mudanças ocorrem.
As mudanças estão relacionadas a qualquer alteração, modificação ou diferenciação na função ou no grau (intensidade, frequência) de um fenômeno ou processo no organismo do indivíduo.
Portanto, o desenvolvimento humano está sujeito tanto às condições e ocorrências históricas, sociais, culturais e contextuais de cada indivíduo, quanto às condições orgânicas, genéticas e hereditárias da pessoa.
Não podemos abordar estas questões de maneira simples, porque elas não são. Pois, "na ciência, quando o comportamento humano entra na equação, as coisas tornam-se não-lineares. É por isso que Física é fácil e Sociologia é difícil", de acordo com o astrofísico Neil deGrasse Tyson.
Aqui consta duas pequenas reflexões, a primeira só trará perguntas e não respostas. A segunda, apenas apontará a um pensamento reflexivo sobre nossa concepção do mundo, de maneira existencialista. A vinculação da imagem de Matrix não é apenas coincidência, aliás, a trilogia Matrix levanta questões filosóficas muito pertinentes.
JORNADA EXISTENCIAL
Parece-me correto afirmar que o ser humano, conforme exista, acumula experiências que marcam sua jornada existencial e influencia diretamente na sua formação moral/ética.
Se somos produtos de nossas experiências — sejam de qual natureza for; Social, Psíquica, Biológica... etc. Então nosso julgamento de bom e mau, certo e errado e etc... juntamente do abstração sobre a própria existência e o convívio social faz parte necessária destas experiências, específicas já vividas? Se tivéssemos experiências totalmente diferentes, nosso modo de perceber/ponderar/julgar o mundo seria radicalmente alterado?
Em qual ponto das formas do ser humano perceber sua existência são realmente próprias, abstraídas ou simplesmente reproduzidas, de forma alienada? E afinal, o que é consciência?
CONTINUIDADE DE PROGRAMA
Estamos tão acostumados com a ideia de viver numa continuidade de programa, alienados, que quase nunca percebemos os detalhes e a graciosidade da vida. Parece que em nossa arrogância, nós humanos, ignoramos toda a natureza ao nosso redor, a ponto de não apreciar o belo voo de uma borboleta, por exemplo. Parece que somos convencidos a conceber o mundo unicamente através da lógica consumista, assim alimentando um pensamento que nos faz esquecer que não somos únicos, tampouco superiores a nenhuma outra espécie, apenas temos sorte de poder refletir sobre a existência, nesta jornada evolutiva.
Afinal, o que é "Opinião Pública"? aquela que as mídias e afins anunciam os resultados de pesquisa em opinião pública sobre determinados assuntos. Os institutos que são conhecidos no Brasil e fazem pesquisas neste sentido são o Ibope, Data Folha, IBGE... etc. Cujo partem da ideia de que a opinião pública é a somatória de opiniões individuais sobre temas por eles mesmos aferidos. Para Bourdieu este tipo de opinião não existe.
Um ponto que tem que ser esclarecido é a definição de opinião, e a diferença para a opinião que é pública. Ex: a aula foi ruim; a comida está apetitosa, etc... — A especificidade da opinião pública em relação a simples opinião é que, a opinião pública terá por objeto temas que digam respeito a toda a cidade, toda a “polis”, temas “políticos” por tanto.
O desejo dos intelectuais, os progressistas e humanistas ao menos, e das classes trabalhadoras, não é o de manutenção da sociedade atual, mas sim de sua superação!
A visão demagógica do trabalho que nos é apresentada pela sociedade capitalista ou consumista (em sua organização econômica/social) não contribui de fato para a dignificação do trabalho humano. Por isso, devemos superar. Afinal, o principal objetivo do capitalista perante o trabalho, principalmente do trabalho dos outros, é o lucro e não o bem estar humano. Embora busca pelo lucro possa gerar indiretamente bem estar humano (dos que podem consumir), seu objetivo último é o lucro.
Do gari ao médico, ambos são trabalhos dignos, que na visão humanista devem ser valorizados de maneira igual. A sociedade capitalista nos induz à pensar que o status do segundo é superior ao do primeiro, pois segundo os capitalistas, o doutor passou anos estudando e o lixeiro não merece ser igual ao primeiro porque não teve mérito para tal. Mas, como pesar na balança a igualdade de pessoas que iniciaram sua jornada de modo desigual?
Alegam que a contribuição do médico é superior ao do gari, que só cata lixo, enquanto o outro salva vidas. Mas, paremos para pensar na função de ambos. Se ninguém recolhe o lixo das ruas, a sujeira acumulada pode proliferar doenças, observamos a idade média, onde muitas doenças haviam de fato ao lixo acumulado. Nesta perspectiva, o gari contribui na prevenção, enquanto o médico no tratamento. Ambos são trabalhos dignos e essenciais , porque temos que desmerecer um perante o outro?
O trabalho é digno, todo o trabalho dignifica o homem, devemos encontrar um meio de alterar nossa percepção da relação do trabalho na sociedade, tanto na teoria, quanto na prática.
O Dia do Trabalhador, deve ser utilizado para a conscientização e humanização da humanidade. E não apenas de reprodução da demagogia capitalista perante o trabalho!
Estamos
constantemente sendo bombardeados por informações, comunicados e notícias da
mídia, da televisão e agora na internet. As grandes mídias passaram a também
utilizar a internet como meio de propagação de seu material. O que vem a seguir
é algo muito pertinente sobre o assunto que estamos vivenciando.
“Não
temo parecer ingênuo ao insistir que não ser possível pensar sequer em
televisão sem ter em mente a questão da consciência crítica. É pensar em
televisão ou na mídia em geral nos põe o problema da comunicação, processo
impossível de ser neutro. Na verdade, toda a comunicação de algo, feita de
certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou explícita, de algum ideal contra
algo e contra alguém, nem sempre claramente referido. Daí também o papel
apurado que joga a ideologia na comunicação, no processo comunicativo. Seria
uma santa ingenuidade esperar de uma emissora de televisão do grupo do poder
dominante que, noticiando uma greve de metalúrgicos, dissesse que seu
comentário se funda nos interesses patronais.
Pelo contrário, seu discurso se esforçaria para convencer que sua análise
da greve leva em consideração os interesses
da nação.
Não
podemos nos pôr diante de um aparelho de televisão “entregues” ou “disponíveis”
ao que vier. Quanto mais nos sentamos diante da televisão — há situações de
exceção, como quem, em férias, se abre ao puro repouso e entretenimento — tanto
mais risco corremos de tropeçar na compreensão de fatos e de acontecimentos. A
postura crítica e desperta nos momentos necessários não pode faltar.
O
poder dominante, entre muitas, leva mais uma vantagem sobre nós. É que, para
enfrentar o ardil ideológico de que se acha envolvida a sua mensagem na mídia,
seja nos noticiários, nos comentários aos acontecimentos ou na linha de certos
programas, para não falar na propaganda comercial, nossa mente ou nossa
curiosidade teria de funcionar epistemologicamente
todo o tempo. E isso não é fácil.
Mas, se não é fácil estar permanentemente
em estado de alerta, é possível saber que, não sendo um demônio que nos
espreita para nos esmagar, o televisor diante do qual nos achamos não é
tampouco um instrumento que nos salva. Talvez seja melhor contar de um a dez
antes de fazer a afirmação categórica que Wright Mills¹ se refere: “É verdade.
Eu ouvi no noticiário das vinte horas”.
¹Wright
Mills, La elite del poder. México:
Fondo de Cultura Económica, 1945.
Extraído
na Íntegra de:
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da Autonomia.
Saberes necessários à prática educativa. 51ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,
2015.
A palavra
consciência, de acordo com o dicionário Michaelis é a capacidade que o homem
tem de conhecer valores e mandamentos morais e aplicá-los nas diferentes
situações. Mas, afinal o que é consciência? e quais são os tipos de
conhecimento que o ser humano pode desenvolver?
Desde que passamos a questionarmo-nos acerca do mundo e do que
presenciamos nele, a ciência, em especial a filosofia, estudam e tentam
compreender a ação da consciência sobre nosso corpo e mente. Esse esforço
reuniu as ciências, como psicologia, antropologia, sociologia e
neuropsicologia, para uma sistematização teórica do tema.
A filosofia sempre esteve relacionada ao conceito de reflexão,
conhecimento e autoconhecimento. A palavra filosofia, de origem grega significa amizade
pela sabedoria. Embora para muitos ela esteja confinada ao campo
estritamente teórico, o desafio consiste em relacionar e pontuar a teoria com a
prática, ou seja, a práxis teórica. Neste texto vou abordar de
maneira resumida a relação que a filosofia tem com a educação, alguns dos
principais filósofos que deram base ao início da educação bem como correntes de
pensamentos vigentes, numa abordagem humanizada da educação.
É nos apresentado que a filosofia envolve conceitos como: sabedoria,
atitude, conhecimento, postura crítica, visão de mundo, estado de atenção e
busca pela verdade das coisas. E a ideia de "pensamento filosófico" está
profundamente interligada com a ideia de "atitude filosófica". A
postura de aceitar a realidade como algo natural e costumeiro, significa opor-se
à proposta da atitude filosófica. Neste ponto não significa negar a realidade,
mas apenas não aceitar a proposta: é assim porque é assim, a
atitude filosófica significa buscar entender o porquê das coisas serem como são
e, se necessário criticá-las.
A relação da amizade com a filosofia significa estar atento e em
constante reflexão sobre o mundo a nossa volta, a qual nos instiga a sair do
estado de acomodação de nosso estado crítico, ou seja, nos impõe à sermos
críticos. O filósofo Sócrates corrobora dizendo: Uma vida sem busca não é digna de ser vivida" (Sócrates apud REALE; ANTISERI, 2002).
Neste, constará algumas reflexões sobre a relação da sociedade com a educação, que tive há alguns meses. E agora resolvi deixar registrada de forma de mais fácil acesso.
Pois bem, abordando o tema da relação da educação com sociedade percebemos que é um tema complexo e delicado, ainda mais do ponto de vista de como se define a educação e a sociedade, bem como entender sua interligação. Alguns autores vão defender que a educação é a preparação para a vida em sociedade, outros diriam que ela é uma instância da vida social, uma relação social, outros que é apenas uma preparação para o mercado de trabalho.
Antes da citação penso ser importante apresentar minhas considerações. Há muito tempo eu não comentava nada relacionado à religião. Ademais, minha posição é declaradamente em favor da ciência e seu método de autocorreção.
Entretanto, após esta passagem em específico pensei ser oportuno e digna a reflexão ser publicada, muitos dos que se dizem cristãos deveriam de fato conhecê-la. Em tempos de consumismo extremo proporcionados graças ao sistema capitalista, podemos tomar esta pequena reflexão alegadamente feita por alguém chamado Jesus, supostamente datada de aproximadamente cerca de 2000 anos atrás; segundo a visão religiosa. Ao que aparenta; este homem apresentava muitos ideais que hoje poderiam ser comparadas ou identificados a uma visão socialista. Talvez até o chamariam de comunista — de maneira pejorativa — ou até mesmo o mandariam para Cuba. Esta citação em questão pode ser válida. Deveria em partes, nas coerentes, ser norteadora para os "Cristãos".
Para quem professa fé Cristã: Este texto pode servir para reforçar esta fé e as atitudes coadunantes com o que está escrito. Mas deve-se ficar atento, para não ter uma postura hipócrita, discursar os pensamentos de Jesus e sobre suas atitudes, e fazer o oposto. Leiam atentamente a citação e façam jus a ela. Um dos pontos mais importantes é: expressar a fé sem interferir na liberdade alheia.
Para quem não professam fé cristã: Desconsiderem o caráter religioso desta, e atentem-se à reflexão humana do que se está abordando. A crítica ao ato da caridade nos ajuda a diferenciar as atitudes ditas "filantrópicas", mas que contém interesse de marketing pessoal e não sentimentalismo humano de ver o outro ser bem.
O ponto muito importante da citação é a crítica que ela faz aos próprios religiosos que dizem ser religiosos mas, fazem-o por vaidade, por marketing pessoal e professam que seguem tais ensinamentos somente pela aparência que eles tem em âmbito social. Hipócritas, como versado na própria citação. No ponto que fala sobre professar a sua fé em silêncio e não nas praças públicas, Pode ser utilizada àqueles que acham que tem o dever de "converter" os outros para a sua fé, eles estão sendo hipócritas, segundo o próprio Jesus, e estão interferindo na liberdade alheia.
A caridade deve ser anônima, do contrário é vaidade! As liberdades individuais não devem ser interferidas por preceitos religiosos — o Estado deve ser Laico — acredito que desta citação, pode-se fazer uma reflexão, independentemente de ser religioso ou não.
"Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Ficai atentos para não praticar a vossa justiça na frente dos homens, só para serdes vistos por eles. Caso contrário, não recebereis a recompensa do vosso Pai que está nos céus. Por isso, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando deres esmola, que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta. E o teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa.
Quando orardes, não sejais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas das praças, para serem vistos pelos homens. Em verdade, eu vos digo: eles já receberam a sua recompensa. Ao contrário, quando tu orares, entra no teu quarto, fecha a porta, e reza ao teu Pai que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.
Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas. Eles desfiguram o rosto, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo: Eles já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu estás jejuando, mas somente teu Pai, que está oculto. E o teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa”. (BÍBLIA, Mateus 6:1-6. 16-18)
A busca pela verdade ou, por um conhecimento mais polido da realidade, como preferir, deve ser aberto a questionamentos e inclusive ao ceticismo rigoroso. O ceticismo deve servir para autocritica, inclusive. Ademais, não nos convém como intelectuais, buscarmos a verdade, se apresentamos uma postura fechada em arrogância defendendo nossas crenças da verdade como se fossem dogmas. Se, assim o fizermos, estaremos cometendo os mesmos erros que tendemos a criticar.
Porém, mesmo assim, devemos ter a noção que há conhecimentos tácitos, como os da física, os quais são objetivos, e podemos defender em certo grau, diga-se de passagem, elevado. Nestes casos podemos ter a convicção de defendê-los. Max Weber, um dos mais influentes pensadores das ciências sociais, afirma que a ética do cientista é, a ética da convicção absoluta, do tudo ou nada, da ação racional voltada a valores. Mas, devemos constantemente estar abertos à crítica bem fundamentada em evidências. E como nos lembra Carl Sagan, apresente uma evidência que a ciência está errada e o cientista irá abandonar sua crença errônea da verdade e vai voltar a estudar sobre o tema, tornando assim a ciência uma metodologia de autocorreção e mais, um modo de pensar.
A música "A moral provisória", composta pelo Parteum, nos apresenta pensamentos embasados em obras filosóficas, que são facilmente verificáveis, isso é nítido no titulo da música em sua referência ao pensamento do filósofo René Descartes, o qual vai ser observado em todo o contexto da letra. Descartes foi um influente no surgimento da filosofia moderna. Nesta música — além de Descartes — observa-se algumas menções subjetivas a Nietzsche, Maquiavel, Marx, e uma bem direta a Schopenhauer. Isso me induziu a realizar esta análise mais profunda.
Antes de iniciar a reflexão, deixo o link da música pelo youtube e a letra da mesma, respectivamente. Após inicia-se a reflexão. Os números na frente da letra correlacionam-se com comentários da análise a seguir.
A
A Moral Provisória
[1]Tudo que compro nesse
mundo não é meu
Finjo ser ateu pra
regular quem se perdeu
Na mesma busca que
eu, na mesma busca do eu
[2]Na fila da escola
maternal, jardim e pré
A maçã da professora
que chega pra aula a pé
[3]Brincando de ser rico
lembra a banco imobiliário
E quando fiz 15 eu
passei a ser bancário
Já vi dinheiro grande
mais ou menos e trocado
Quem você acha que
banca meu raciocínio quebrado?
[4]Separe-me dos ímpios
invejosos e perdidos em geral
Quem odeia no escuro,
na luz enxerga mal
Discordo de
Schopenhauer
[5]Escrevo pra
alfaiates, sapateiro e domésticas.
Parece complicado,
mas depende.
[6]Quando enfrento
mentes céticas desarmo-me da lógica comum
Desmonto um a um,
cada enigma
Desesperador, sublime
como a dor de envelhecer ---
O que mais posso
dizer se não enfrente seus demônios?!
[7]Colecione sonhos
Respeite seus
hormônios
Grite se quiser
Concorde se puder
[8]Ame mais que uma
mulher
(Mantenha intacta a
imagem do seu amor de verão,
Da garota da escola
que você nunca teve coragem de chamar pra sair
Mesmo que hoje ela
esteja no terceiro casamento e você tenha achado a esposa ideal.
Não existe razão pra
essas memórias deixarem de existir.)
[9]Três capítulos depois
perambulando pela sala
Num copo, a sopa rala
que eu mesmo fiz
[10]Sempre quis dizer
mais o que as linhas permitiam.
Metade dos que dizem
me entender já se perdiam
Antes mesmo do
primeiro tempo
Corta!
[11]Vire a câmera pro
time adversário que reclama sem sequer sair do banco pra jogar
E quando eu prosperar
vão me dizer que tudo válido na guerra
Isso não me desespera
[12]O mundo permanece
como é
Inundo meu ser com
quase tudo que não é real
[13]Vendaval de letras
que circundam cada passo
Venda sobre os olhos
de quem quer me por no laço
Boi brabo!
[14]Não trago! Não fumo!
Meu rap é outro rumo,
mas comparam-me com cada perdedor...
[15]Desculpe-me
"sinhô", mas acabou a brincadeira
Isso é terapia
intensa pra quem vive na fogueira
(Mantenha intacta as
imagens da sua primeira gravação
Do seu primeiro
teclado
Do primeiro show
Dos microfone
apitando...
Não existe razão para
essas memórias deixarem de existir...
Não existe razão pra essas memórias deixarem de existir.)
A Análise
Como já versado, o
título da música faz menção ao pensamento de Descartes, sobre amoral provisória,algo que vamos perceber durante
toda a música em suas entrelinhas. Para ficar mais fácil perceber isso, vou
descrever rapidamente o que é amoral
provisóriade Descartes.
Descartes afirma que, enquanto nossos pensamentos estão em constante ebulição, a nossa vida continua. E, ela não espera que tenhamos um pensamento claro e distinto
para que as coisas ocorram. A vida tem necessidades urgentes que se situam
acima do discernimento imediato de cada um. A partir do entendimento que a vida
continua sem que tenhamos total compreensão dos pormenores de nossos
pensamentos, Descartes afirma que é necessário umamoral provisória que
permita a quem se dedica à filosofia viver segundo o mais provável e o mais
verossímil, enquanto o pensamento segue seu próprio percurso, independente das
vicissitudes do mundo. Uma bússola provisória deve estar ao alcance de cada um,
para que, viajantes que somos neste mundo, possamos enfrentar suas intempéries.
Para isso, Descartes
apresenta-nos algumas regras para a moral provisória: Primeira, estipula seguir
as regras existentes em cada país, que as leis e costumes sejam observados. Não
tratando-se evidentemente de uma obediência cega, mas decorrente das
necessidades de uma razão que avalia detidamente, ordenadamente a validade de
cada uma delas. Segunda, postula que devemos ser resolutos e firmes em nossas
ações, pois por maior incerteza que tenhamos devemos agir de modo que chegamos
a algum lugar, mesmo que reconheçamos depois, que chegamos a um lugar errado.
Pessoas que hesitam constantemente não chegam a lugar nenhum, como se andassem
em círculos. Cada decisão tomada deve ser assumida com firmeza tal como uma
hipótese científica, e devemos assumir a responsabilidade de nossas ações, e se
errarmos, saberemos qual caminho não trilhar novamente. Terceira, pressupõe que
as mudanças sejam feitas na consciência de cada um, que para o exercício da
razão se torne uma maneira habitual de pensar, sem preconceitos. Quarta, a
moral implica, principalmente, uma escolha de vida. Seja qualquer que seja,
Descartes, por exemplo, dedicou-se à filosofia. As escolhas de vida através de
uma moral provisória devem sempre buscar coerência e nitidez, para que possamos
trilhar um caminho de acordo com o progresso e desenvolvimento pessoal.
Agora que temos uma
base sobre a moral provisória, vamos a análise da letra propriamente dita. Os
espaçamentos da letra da música foram ajustados para a reflexão da mesma. A
forma que vou fazer análise é de maneira comentada, na letra acima há números
indicativos que vão se correlacionar com os comentários analíticos a seguir:
[1]A primeira parte inicia-se afirmando que
tudo o que o eu-lírico* compra não é dele, podemos interpretar de duas
formas: A primeira, se tudo o que produzimos é fruto de nosso trabalho, somos
dignificados por isso e isso nos pertence. Logo, ao compramos algo no mundo,
este algo não nos pertence, pois não foi produzido por nós. Segunda, que nossa
essência não são bens materiais, apontados pelo fetichismo da mercadoria, então não é nosso o que compramos do mundo, este trecho aparenta claramente ser uma alusão ao pensamento de Marx; A partir daí, podemos ver uma alusão ao Nietzsche, o
eu-lírico finge ser ateu para poder regular quem se perdeu na mesma busca de
sua essência, na busca de sua autodescoberta. O que tornar-se imoral, ademais
próprio Nietzsche criticava as formas como nós vemos a moral, fingir ser ateu
para poder regular outrem fornecendo respostas e/ou induzir à determinada
reflexão de mundo é incoerente.
[2]Aqui nós podemos ver que o eu-lírico faz
uma menção direta ao sistema educacional, apontando subjetivamente uma relação
de troca, o aluno vai a pé para a escola para ser educado, levando consigo uma
maçã a pé para entregar à professora, ou seja, o caminho para poder estudar é
mais árduo e mesmo assim, ele tem que dar algo em troca do saber. De certo modo,
uma crítica à meritocracia.
[3]Neste ponto, o eu-lírico está brincando
de ser rico, ou seja, ter posses materiais. Lembra o jogo banco imobiliário, em
que o objetivo é aumentar a quantidade de posses. Quando o eu-lírico completa
15 anos, ele torna-se bancário, bancário no sentido de dar mais importância ao
valor capital (dinheiro), ou que ele começou a trabalhar aos quinze anos para poder sobreviver, ele vê muito dinheiro (já vi dinheiro grande), mais
ou menos, e apenas alguns trocados. Aqui pode-se dizer que, tudo o que ele vê é
correlacionado ao dinheiro, sua visão de mundo está voltada ao capital e está
determinando a forma que ele julga o mundo. E nisso, ele pergunta: Quem você
acha que banca o raciocínio quebrado? ou seja, um pensamento limitado e
alienado, assim como Marx aponta, que a ideologia do capital mantém o controle
do pensamento das massas.
[4]Aqui vemos claramente o eu-lírico
pedindo para ser separado dos ímpios, invejosos e perdidos moralmente em busca
pela essência humana e conhecimento. Crítica os preconceituosos que quando são
colocados à luz do conhecimento, do saber cético, filosófico e científico
enxergam mal. Porém, o eu-lírico aqui aponta discordar de Schopenhauer,
filósofo que apontava que a vida humana oscila como um pêndulo entre o tédio e
a alegria passageira, considerado um filósofo pessimista. Indicando que o
eu-lírico é um progressista no campo da filosofia.
[5] O eu-lírico afirma que ele procura escrever para pessoas
simples, pessoas que não tem muito conhecimento filosófico/cético/científico, na letra é exemplificado com alfaiates, sapateiros e domésticas. Ele faz uma autocrítica
dizendo que parece ser difícil transparecer um pensamento mais complexo em
simplificado, mas depende. Depende da maneira que você o faz, da postura que você tem para se expressar, se é compreensivo no momento da transposição.
[6] Em contra partida ao ponto anterior, quando o eu-lírico
enfrenta mentes céticas, ele se desarma da lógica comum, sendo assim, ele
abandona o senso comum. Passa a refletir racionalmente sobre os assuntos que
está pensando, desmontando cada enigma, quebrando seus paradigmas, despertando
seu conhecimento sobre o mundo de uma maneira antagônica ao senso comum. Isso para o eu-lírico é
tão sublime quanto a dor do envelhecer, romper estes paradigmas torna-o mais
desenvolvido mas, também causa certo sofrimento. O eu-lírico pergunta-se sobre o que ele pode dizer caso ele não
enfrente seus demônios. Neste caso, ele se refere ao que Descartes afirmava
por demônios, que seria uma espécie de empecilho ao filósofo em obter coerência
e uma interpretação racional acerca do mundo que o cerca. Logo, para
compreendermos coerentemente o mundo, devemos enfrentar os paradigmas e nossos
dogmas.
[7] O eu-lírico diz para colecionarmos sonhos, que devemos ter algo para
nortear nossas vidas e objetivá-la, servindo assim como um dos caminhos de uma
moral provisória, como Descartes afirma. Respeitar os hormônios no sentido de
respeitar nosso momento e os anseios do tempo presente e buscar uma
forma plausível de poder defender eles, e aceita-los se pudermos. Tendo em
vista uma defesa e um posicionamento racional acerca dos mesmos.
[8] Notamos que o eu-lírico diz que devemos amar a mais que uma
mulher, talvez, seja no sentido de que em nossa vida de fato temos mais do que apenas
um amor. Ademais, após ele afirmar isso vem uma segunda voz, feminina,
representando a memória do eu-lírico, dizendo que não existe razão para as
memórias deixarem de existir, ademais a música está analisando a moral provisória de Descartes, ela justamente
versa que nossas memórias são pontos de reflexão para saber quais caminhos não
devemos mais trilhar e também serve de base para a fomentação de nossa moral
atual.
[9] Aparentemente, neste ponto o eu-lírico parece se referir à
chegada da velhice, considerando que o primeiro e o segundo capítulo fossem:
infância e vida adulta, respectivamente. Ele está perambulando pela sala,
apenas a comer uma sopa rala que ele fez.
[10] Em continuação ao ponto anterior, ele reflete que ele queria
dizer mais do que as linhas permitiam, ou seja, mais do que ele podia através
de suas limitações, talvez, econômicas ou sociais. E ainda versa que, metade
das pessoas que diziam entender ele, entender as reflexões filosóficas que ele
compartilhava, se perderam antes mesmo do primeiro tempo. Assim, eles de fato
não compreendiam as reflexões que ele fazia. Ele versa que abandona o
senso comum, grande parcela da população apenas permanece no senso comum, talvez isso justifique porque as pessoas não o compreendem. E sem
motivo algum um vem um: “Corta”, como se fosse um fim de uma gravação, talvez seja o
fim da vida do eu-lírico. Ele não teve tempo de continuar a buscar o
conhecimento e o entendimento em plenitude. Ou, talvez seja o fim da sua moral provisória e o início da outra, pois a reflexão continua.
[11] Aqui, continuando a reflexão o eu-lírico diz que, é para
virar a câmera para o adversário, outro alguém, que reclama de talvez não ter
chegado ao autoconhecimento ou ao conhecimento, mas nem saiu do banco para
jogar, nem desarmou-se da “lógica comum”. Após, há uma afirmativa que remete à
Maquiavel, que quando ele “prosperar” em qualquer sentido que o seja, vão vir
afirmativas que, os fins justificam os meios e que tudo é válido. O eu-lírico
diz não se desesperar com isso.
[12] Em referência e continuação ao ponto anterior, ele deixa
claro que a busca era dele, sem interferir nos outros, ademais o mundo
permanece como é. Então as acusações de que os fins justificam os meios,
aparentemente partem dos outros, num sentido de inveja por ele estar no caminho
da autodescoberta. Então ele diz que inunda o seu ser com tudo o que não é
real. Neste aspecto, parece que se está referindo-se ao conhecimento filosófico
em si, pois, a sociedade tem como a realidade o material associado com o
fetiche da mercadoria, se ele não segue os padrões ele está vivendo num mundo “irreal”.
[13] Aqui o eu-lírico afirma que há um vendaval de letras, talvez, pensamentos que
circundam-no a cada passo de sua vida, assim coadunando com o que Descartes afirma pela moral provisória. Aqui o eu-lírico faz uma crítica que parece haver
uma venda sobre seus olhos, colocada por quem quer pô-lo no laço, controla-lo.
Mas, ele é um boi brabo.
[14] Boi brabo, o eu-lírico se refere que ele não quer ser
controlado, quer ser livre para poder pensar, refletir e sair do senso comum.
Mas, para superar o senso comum, até mesmo como Descartes versa, devemos nos
desprender dos preconceitos, neste ponto observamos que o autor contrapõe
imediatamente os preconceitos, principalmente contra o estilo musical que pertence. Ele não
faz uso de drogas, afirma que seu rap é outro rumo, diferente do estereotipado pela
sociedade, porém, a sociedade continua a compara-lo com quem ele considera ser
perdedor, pro fazer coisas irracionais.
[15] Aqui, ele pede desculpas e afirma que acabou a brincadeira, aparenta
estar se referindo a contrapor preconceitos e tomar lado em busca do
autoconhecimento. E afirma que a sua busca pelo conhecimento é uma forma de tratar-se da
situação que vive, sendo julgado a todo momento por causa de preconceitos, e
que a busca pelo conhecimento é sua terapia. Com a fogueira ele pode estar se referindo à duas coisas, primeira, que quando estamos muito próximos de uma fogueira, sua luz pode nos ofuscar para ver outras coisas, sendo assim, talvez, podemos cometer erros na busca pelo saber. Segunda, pode estar feito alusão à caça as bruxas, onde quem buscava o saber na idade média, era queimado pela inquisição, hoje é o preconceito da sociedade. Novamente aparece a segunda voz,
afirmando para ele manter intacta as suas memórias, pois não há sentido para
elas deixarem de existir. Pois, nossas memórias ajudam a formar o que somos hoje.
O estilo rap não é
meu estilo musical preferido, mas, após ouvir Parteum pela primeira vez através desta música, que é extremamente
coerente e embasada em conhecimentos filosóficos eu estou buscando conhecer
mais o estilo, em especial o Parteum. Até o momento, não havia feito nenhuma análise de
música, esta sendo a primeira que fiz foi extremamente produtiva, confesso que: não
foi fácil compreender o contexto e acredito que ainda há interpretação mais
profunda nela, o autor da dela deve ter motivações e interpretações
filosóficas mais coerentes e aprofundadas. Percebi que, muito das reflexões que a
música faz, analisando em suas intersubjetividades nos apresenta um pensamento
muito coerente e filosófico. É extremamente importante que tenhamos em todo o
estilo musical compositores que façam estes tipos de obras embasadas e críticas, contribui para uma apreciação completa da música e nos instiga a
buscar o conhecimento. Pois, assim como Sartre dizia que no plano moral ocorre
uma coisa em comum entre a arte e moral, em ambos os casos, temos criação e
invenção. Não podemos decidir a priori
aquilo que deve ser feito. Porém, a música como uma forma de arte, pode
contribuir de forma expressiva para o compartilhamento de um pensamento coerente,
racional, progressista e altamente reflexivo.
*Eu-lírico - no
poema, voz que expressa a subjetividade do poeta e/ou a maneira pela qual o
mundo exterior se converte em vivência interior;
O texto que vem a seguir é uma reflexão breve e superficial sobre a função social da escola.
FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA
Imagem em alusão ao clipe da música Another Brick In The Wall da banda Pink Floyd. Autor: Desconhecido
Quando pensamos em conhecimento e estudos é muito provável que imediatamente imaginemos da escola como um espaço em essência legitimado para o ensino/aprendizagem, tendo em vista que é uma instituição social historicamente bem estabelecida. Em quase sua totalidade a população vê a escola como formadora dos cidadãos preparando-os para a vida em sociedade, neste aspecto não teríamos muita dificuldade em definirmos o que é a escola, pois é senso comum este aspecto mencionado. Porém, tendo em vista que o senso comum não tem caráter de cientificidade, devemos fazer uma reflexão mais aprofundada sobre o óbvio do imaginário popular e iniciar um debate sobre qual é a função social da escola.
Agora que retornamos à calmaria, paramos de discursar, estamos novamente na zona de conforto e a sermos os mesmos individualistas e consumistas que éramos, porém agora com a consciência aliviada após discursar coisas humanistas num breve período de festividades, é hora de repensar o ocorrido. Este texto foi redigido influenciado por algumas conversas com pessoas estimadas no período das festividades de fim de ano de dois mil e quinze.
Evitei compartilhar esta reflexão coincidindo com estas datas justamente para não parecer "aqueles caras chatos que ficam a reclamar em todas as datas comemorativas". Nestas datas é possível observar algumas posturas provindas de pessoas, nas quais elenco estas: pessoas extremamente discursistas (os que apenas falam e nunca praticam), os humanistas de fato (divididos em dois grupos, os que apenas discursaram e os que farão acontecer), os que reclamam dos discursistas (estes fazem apenas "anti-discurso") e aqueles que tentam refletir as posturas acerca destes fenômenos sociais/culturais. Em caso de haver mais nuances e/ou correções acerca deste ponto, sinta-se convidado(a) a comentar e fazer uma crítica à este texto.
É comum nestas datas vermos os discursos já conhecidos histórica e culturalmente: “Vamos lutar no ano seguinte por uma sociedade justa, humana, igualitária; com paz e amor ao próximo, por uma sociedade livre de preconceitos”, em suma, discursos que almejam uma utopia social. Porém, aparentemente, as pessoas (de modo generalizado) não têm, de fato, consciência de quão importante seria se estes pensamentos fossem realizados na práxis (na prática, ação concreta).
Talvez, o que nos impede de iniciar a práxis de fato, deve-se a vivermos numa realidade em que estamos sendo constantemente alienados pelo consumismo e fetichismo da mercadoria e somos induzidos a confundir estes com uma postura humanista, bem como apenas discursos humanistas atrapalhados pelo fetiche da mercadoria, o que é um fruto do consumismo e da super importância que dedicamos aos objetos/mercadorias, ao invés das relações humanas factualmente.
Então, nestas datas é comum ver os discursos humanistas sendo apenas proferidos ao invés de praticados; em essência, a prática que se inicia é na verdade o consumismo maquiado de humanismo. Pior que o anterior são os discursos consumistas que nos são apresentados como sendo "humanistas" (Pseudo-humanismo), Amigo Secreto e Troca de Presentes são um bons exemplos de consumismo disfarçado de humanismo.
Esta reflexão levanta algo que eu preciso comentar às pessoas que têm uma visão reflexiva destas relações, que passam por uma espécie de tortura mental, pois mesmo alertadas pelo ceticismo, visão crítica de mundo, teorias, pensadores e outros mais, às vezes não conseguem se libertarem de ser participantes deste paradigma; e no caso de estarem fazendo parte, é a falta da práxis dos intelectuais, na grande maioria dos casos, que os torna meros discursistas. O grande diferenciador destas relações é a práxis, à qual pouco se observa.
Espero que esta breve reflexão tenha feito você, leitor (a), a repensar suas convicções acerca de seus posicionamentos sobre estas datas festivas. A reflexão é importante, pois assim ampliamos nosso entendimento, ou buscamos pelo entendimento do mundo. Neste caso, me refiro a “mundo” enquanto relações sociais.