sábado, abril 25, 2026

Cosmos com Cosmos: Episódio 01 (Os limites do Oceano Cósmico)


“Cosmos com Cosmos” é uma série de publicações composta por ensaios de Casey Dreier, originalmente publicados pela The Planetary Society e traduzidos com autorização da instituição. Os textos convidam o público a assistir e revisitar Cosmos, a clássica série apresentada por Carl Sagan

    A tela, está cheia de estrelas. Repleta delas, na verdade. Notas isoladas de piano, seguidas pelo som de cordas suaves, emergem em nossa consciência. As estrelas se movem, ganhando aos poucos complexidade e forma, deslizam lentamente, com graça. Nossa visão é interrompida apenas pelos títulos simples: “Cosmos. Por Carl Sagan. Uma Viagem Pessoal.”

    É difícil imaginar o impacto dessa abertura sobre os primeiros espectadores da série, em 1980. O espaço havia voltado com força à cultura popular com o lançamento de Star Wars três anos antes, seguido por Star Trek: The Motion Picture, The Empire Strikes Back e Alien, todos elevando o nível dos efeitos especiais e da experiência cinematográfica. Mas, em vez de competir com esses filmes de ficção científica cheios de ação e grande orçamento, Cosmos tomou o caminho oposto. Está mais para 2001 do que para Star Wars, avançando com confiança em um ritmo deliberadamente sereno.

    Essa abertura, ao mesmo tempo contida e ousada, nos diz desde o primeiro instante que o programa será sobre mais do que apenas aquelas estrelas passando diante de nós. Será um programa sobre ideias. Sobre nossa luta para nos definirmos dentro da imensidão. Sobre como o programa nos fará sentir coisas, e não apenas nos dirá coisas, com a ajuda de imagens e músicas cuidadosamente escolhidas. Ele não fugirá da emoção, da reverência e do assombro — uma escolha que, tristemente, ainda o torna único entre os programas científicos até hoje.

quarta-feira, abril 22, 2026

O pensamento crítico incomoda porque liberta


Desde tempos imemoriais, alguns seres humanos criticam a alienação e a falta de ímpeto para investigar e compreender o mundo de forma racional e crítica. Em cada momento da história, parece haver dilemas em que se repetem a ignorância e a mera repetição de discursos.

    O dilema, creio, do nosso tempo parece ser o excesso de informações e, sobretudo, a desinformação. O acesso a muito conteúdo não se traduz necessariamente em inteligência e sabedoria. Apenas repetir informações que são recebidas não é um sinal de pensamento crítico independente. Essa repetição de ideias torna-se um mecanismo de reprodução acrítica.